# Em Voto, Moraes Detalha o “Itinerário da Coação” Atribuído a Eduardo Bolsonaro

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- Published: 2025-11-14T19:05:30-03:00
- Author: fofoqueimogi

### Ministro do STF aceitou a denúncia da PGR, que traça uma linha do tempo das ações do deputado nos EUA, visando pressionar o Supremo e livrar Jair Bolsonaro e aliados de condenação.

O Ministro **Alexandre de Moraes**, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou 
em seu voto o detalhado “Itinerário da Coação” narrado pela Procuradoria-Geral da
República (PGR) para justificar a aceitação da denúncia contra o deputado federal**
Eduardo Bolsonaro (PL-SP)** pelo crime de **coação no curso do processo**, com conduta
reiterada.

O voto de Moraes ressalta que a acusação descreveu de forma satisfatória os fatos
típicos e ilícitos, garantindo que o parlamentar tivesse **“amplo conhecimento dos
motivos e das razões”** do seu indiciamento.

### O Roteiro da Coação

A PGR alegou que, em momentos cruciais do processo que resultou na condenação de
Jair Bolsonaro e outros aliados (Ação Penal nº 2.668), Eduardo Bolsonaro e o influenciador
Paulo Figueiredo agiram de forma conjunta e intencional para **intervir no processo
penal**.

A estratégia, segundo a acusação repetida por Moraes, foi estruturada na **ameaça
de obtenção de sanções estrangeiras**, tanto contra ministros do STF quanto contra
o próprio Brasil, com o propósito de **“livrar Jair Bolsonaro, e também o próprio
Paulo Figueiredo, da condenação penal”**.

O “Itinerário da Coação” detalhado no voto inclui:

 * As ações dos denunciados e os prenúncios ao tempo da posse do então novo presidente
   dos EUA, Donald Trump.
 * A **suspensão de vistos** de oito Ministros do STF.
 * A estratégia de **sacrifício dos interesses nacionais** para constranger os julgadores
   da ação penal.
 * Os **efeitos de sobretarifas** para as exportações brasileiras.
 * A **concretização da ameaça de imposição das sanções da Lei Magnitsky** ao Ministro
   Alexandre de Moraes.
 * A busca pela instauração de um **clima de atemorização constante**.
 * O incremento das evidências de intensa culpabilidade, com menção às mensagens
   de _WhatsApp_ de Jair Bolsonaro.

### Dolo Específico

Moraes cita a PGR, que conclui que **“todo o percurso estratégico relatado confirma
o dolo específico de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo”** de criar um clima de
instabilidade e temor, projetando sobre as autoridades brasileiras a perspectiva
de represálias estrangeiras e sobre a população o “espectro de um país isolado”.

O objetivo final, segundo a acusação, sempre foi o de **“sobrepor os interesses 
da família Bolsonaro às normas do devido processo legal e do bom ordenamento da 
Justiça”**.

Com base nisso, Moraes votou por aceitar a denúncia, por considerar que há **“prova
da materialidade e indícios razoáveis e suficientes de autoria”** nas condutas do
deputado.

O julgamento da Primeira Turma, que decidirá se Eduardo Bolsonaro se torna réu, 
segue em plenário virtual até 25 de novembro. Até o momento, o Ministro Flávio Dino
e Cristiano Zanin seguiram o relator, formando a maioria.

**Crédito da Imagem:** Divulgação
