Investigação aponta que suspeito realizou milhares de consultas e utilizava CRM clonado; ações da Polícia Civil ocorreram no distrito de Jundiapeba e em outras cidades do estado.
Falso médico é preso em Mogi das Cruzes pela Polícia Civil. Suspeito atuava com telemedicina e CRM clonado. Veja os detalhes da Operação Hipócrates.
Uma ação conjunta da Polícia Civil resultou na prisão de Marcos Phelipe de Barros nesta terça-feira (26), no município de Mogi das Cruzes. O investigado é apontado como um dos líderes de um esquema de exercício ilegal da medicina e foi localizado pelas equipes do 22º Distrito Policial (São Miguel Paulista) durante a segunda fase da Operação Hipócrates.
As diligências indicam que o suspeito realizava consultas recentes por meio de plataformas de telemedicina a partir de Mogi das Cruzes. Imagens obtidas pelos agentes também registraram o homem realizando procedimentos clínicos de forma improvisada em via pública, no distrito de Jundiapeba. Durante a abordagem, computadores e materiais digitais foram apreendidos para análise pericial.
Apuração de atendimentos e desdobramentos judiciais
Segundo o histórico do inquérito policial, o investigado utilizava a identificação profissional e o registro regular de outro médico para atuar de forma clandestina. A estimativa das autoridades aponta que o esquema realizou cerca de 2 mil atendimentos em um período de dois anos em uma unidade hospitalar localizada na Zona Leste da capital paulista.
A linha de investigação busca determinar se falhas nesses procedimentos possuem relação direta com o óbito de nove pacientes atendidos no local. O delegado responsável pelo caso, Mariano de Araújo, destacou a gravidade da atuação prolongada de indivíduos sem a devida formação técnica em áreas essenciais de saúde.
A Justiça determinou o afastamento temporário da gestora operacional e do diretor clínico do hospital envolvido para garantir a transparência das investigações. Ao todo, a operação mobilizou as forças de segurança para o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária, com alvos distribuídos entre São Paulo, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes.
Orientações de segurança ao paciente
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) ressaltou que casos de falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão são tratados como infrações penais, competindo ao Ministério Público e à Polícia Civil.
A autarquia reforça que mantém em sua plataforma digital o sistema “Guia Médico”, uma ferramenta pública e gratuita que permite a cidadãos e instituições de saúde checar a regularidade cadastral e a autenticidade do registro de qualquer profissional antes do início de atendimentos ou contratações.
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