Exibições gratuitas promovidas pela Secretaria de Cultura trouxeram documentários nacionais de peso e debateram a preservação de povos originários e direitos agrários.
A linguagem audiovisual consolidou-se como uma potente ferramenta de reflexão e cidadania em Itaquaquecetuba. A Secretaria Municipal de Cultura promoveu, ao longo da última semana, as sessões da 15ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos. O circuito de exibições gratuitas teve como objetivo central democratizar o acesso à produção cinematográfica nacional e fomentar o pensamento crítico acerca de urgências sociais, ambientais e humanitárias contemporâneas.
O cronograma oficial de exibições do festival foi chancelado e selecionado de forma conjunta pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Sob a temática central “Direitos humanos e emergência climática: rumo a um futuro sustentável”, os filmes conectaram a preservação ecológica às garantias fundamentais do cidadão.
Memória indígena e lutas agrárias na tela
A abertura da mostra ocorreu na segunda-feira (22/06), na sede da própria Secretaria de Cultura, atraindo um público estimado de 50 espectadores. A sessão inaugural exibiu o aclamado documentário “Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá”, obra que presta homenagem à trajetória da cineasta indígena Sueli Maxakali, mergulhando nas complexas camadas de preservação da memória, territorialidade e identidade dos povos originários do Brasil.
Já na quinta-feira (25/06), o polo de exibição foi deslocado para o espaço do programa Projovem, onde o público acompanhou o documentário “Pau d’Arco”. O filme reconstrói a jornada por justiça dos sobreviventes de uma chacina policial que vitimou dez trabalhadores sem-terra no Estado do Pará, lançando luz sobre os desafios da reforma agrária, os direitos humanos no campo e as barreiras jurídicas no combate à impunidade.
O cinema como catalisador do pensamento crítico
Para a gestão do município, a inserção de festivais descentralizados de cinema de nicho cumpre um papel pedagógico indispensável na formação de novas lideranças comunitárias e na valorização da diversidade brasileira.
“Proporcionar o acesso aos filmes nacionais é fundamental para o desenvolvimento do pensamento crítico e da valorização da identidade cultural do país. Nosso objetivo é contribuir para a ampliação do debate sobre temas sociais e, principalmente, auxiliar a construção de uma sociedade mais justa.” — Maria Ana Rosa, secretária municipal de Cultura.
“Reunir produções que estimulem a reflexão sobre cidadania, inclusão, diversidade e a garantia de direitos por meio da linguagem audiovisual é uma iniciativa muito bem-vinda para a cidade. O cinema é uma das formas de arte mais potentes para fomentar o pensamento crítico.” — Eduardo Boigues, prefeito de Itaquaquecetuba.
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