Suzano

Praça João Pessoa sedia expressões culturais e reflexão no Mês da Luta Antimanicomial em Suzano

Suzano celebra o Mês da Luta Antimanicomial com arte e brechó na Praça João Pessoa. Ação da Secretaria de Saúde debateu o cuidado em liberdade.

O coração de Suzano transformou-se em palco para a promoção da dignidade e da inclusão social na manhã desta terça-feira (19/05). Organizada pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), a tradicional intervenção urbana em alusão ao Mês da Luta Antimanicomial ocupou a Praça João Pessoa com uma programação que uniu conscientização coletiva, manifestações artísticas e geração de renda.

O encontro mobilizou usuários e equipes técnicas das quatro unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), além de articuladores da Atenção Primária. A praça recebeu apresentações de dança, recitais de poesia e números musicais, que funcionaram como ferramentas terapêuticas e de expressão da individualidade dos assistidos.

Cuidado em liberdade e interface social

A edição deste ano trouxe para o debate público o tema “Saúde mental se faz com liberdade: pelo fim da violência contra a mulher”. A escolha do eixo temático reforça a necessidade de um olhar interseccional nas políticas de acolhimento do Sistema Único de Saúde (SUS), combatendo vulnerabilidades específicas dentro e fora do ambiente institucional.

Para além do cronograma cultural, o público que circulava pelo centro pôde interagir com uma feira de artesanato e um brechó. Todos os itens comercializados foram confeccionados pelos próprios pacientes nas oficinas de economia solidária dos Caps, e a renda arrecadada com as vendas é revertida integralmente para o fomento da autonomia financeira dos participantes.

Durante a atividade, panfletos e materiais informativos foram distribuídos à população para desmistificar tabus e combater o estigma que historicamente envolve o sofrimento mental ou o tratamento decorrente do uso problemático de álcool e outras substâncias.

Compromisso com a desinstitucionalização

A coordenadora da Raps, Dulce Ramos, ressaltou a receptividade dos munícipes diante das apresentações e explicou que o calendário de atividades se estende por todo o mês. Na última semana, por exemplo, um encontro integrativo reuniu cerca de 200 assistidos pelos Caps, Serviços de Residência Terapêutica (SRT) e pelo programa Consultório na Rua em um dia dedicado à convivência comunitária e ao fortalecimento de vínculos afetivos.

De acordo com o secretário de Saúde de Suzano, William Harada, a ação cumpre o papel essencial de dar visibilidade e voz ativa a esse público no espaço urbano. O gestor pontuou que, embora o modelo asilar e manicomial tenha sido superado legalmente, a administração municipal mantém o foco diário na superação de barreiras culturais ligadas ao preconceito, consolidando uma rede pública que prioriza o respeito, o direito à cidade e o tratamento humanizado.

Crédito da foto: Divulgação / Secop Suzano

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