Educação de Mogi das Cruzes reúne 500 professores para palestra com Bárbara Carine sobre ensino antirracista. Confira os projetos pedagógicos em destaque.
O fortalecimento de práticas pedagógicas voltadas à igualdade e à valorização da diversidade mobilizou a comunidade escolar de Mogi das Cruzes. Em uma iniciativa conjunta entre a Secretaria Municipal de Educação e o Sesc Mogi das Cruzes, mais de 500 educadores da rede pública se reuniram no auditório do Cemforpe para acompanhar a palestra “Como ser um educador antirracista”, ministrada pela escritora, consultora e professora doutora Bárbara Carine.
O encontro consolidou o espaço escolar como um polo de transformação e reflexão social, alinhando as diretrizes municipais às principais discussões contemporâneas sobre relações étnico-raciais na infância.
Alinhamento e políticas públicas integradas
As temáticas ligadas à educação decolonial e ao combate às desigualdades já fazem parte do cronograma contínuo de qualificações do Departamento Pedagógico (DEPED). O município vem estruturando de maneira sólida suas ações na área, o que inclui a adesão formal à Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).
Mogi das Cruzes conta também com o Grupo de Trabalho e Estudo (GTE) para o Plano de Políticas Antirracistas, instituído por decreto municipal, que assegura suporte técnico, didático e institucional voltado ao desenvolvimento de metodologias inclusivas em todo o território local.
Referência nacional na pedagogia contemporânea
Bárbara Carine, conhecida no ambiente digital como “Uma Intelectual Diferentona”, levou ao público a experiência acumulada em sua sólida trajetória acadêmica e de mercado. Ela é idealizadora da Maria Felipa, a primeira escola afro-brasileira do país, e autora de obras fundamentais como “Querido Estudante Negro” (finalista do Prêmio Jabuti) e “Como ser um educador antirracista”, livro vencedor do Prêmio Jabuti em 2024 na categoria Educação.
Durante a conferência, a palestrante expressou sua satisfação em colaborar com um corpo docente que já desenvolve projetos práticos sobre o tema.
“É uma satisfação enorme integrar essa complementação pedagógica em Mogi. É muito produtivo atuar em redes de ensino onde o debate já está em andamento, permitindo que caminhemos ombro a ombro na construção de soluções”, apontou a escritora.
Bárbara destacou ainda a função estrutural da escola no desenvolvimento social de longo prazo. De acordo com a educadora, a transformação social exige movimentos concomitantes na saúde, na comunicação e na política institucional, mas a base escolar é indispensável por preparar os profissionais que ocuparão esses futuros espaços de decisão.
Práticas escolares e expressões artísticas em exibição
O evento contou também com mostras práticas das atividades desenvolvidas diretamente com os alunos da rede. O foyer do Cemforpe recebeu exposições de trabalhos pedagógicos criados pelas equipes e estudantes das escolas municipais Antonio Nacif Salemi (Alto do Ipiranga), Professora Guiomar Pinheiro Franco (Jardim São Pedro) e Professora Maria Eugênia Fochi de Araújo (Parque Residencial Itapeti).
Complementando a imersão cultural, o público pôde conferir a exposição fotográfica “Pin-ups pretas”, de autoria da fotógrafa May Rabello, que retrata a representatividade de mulheres negras de Mogi das Cruzes e dos municípios vizinhos do Alto Tietê.
A atividade registrou a presença da secretária municipal da Mulher, Lívia Bolina; da gerente do Sesc Mogi das Cruzes, Denise Mariano, e de sua adjunta, Ruth dos Santos; além de membros dos conselhos municipais de Educação (CME) e de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR).
Créditos das fotos: Divulgação/PMMC


