Mogi das Cruzes

Semae Promove Reflexão sobre Divisão Equitativa do Cuidado Infantil em Workshop Temático

Iniciativa questiona narrativas históricas que concentram responsabilidade parental exclusivamente nas mães


Em alusão ao Mês das Mães, a autarquia municipal de saneamento (Semae) abriu espaço para um debate estruturado sobre as dinâmicas do cuidado parental. Na quinta-feira (28 de maio), no auditório da Estação de Tratamento de Água Leste, um workshop temático reuniu colaboradores e convidados para uma reflexão profunda sobre a chamada “simbologia do cuidado” e suas raízes socioculturais.

Desconstruindo narrativas cristalizadas

A palestra foi ministrada por Monique Motta, pesquisadora, comunicóloga e educadora parental com trajetória consolidada na defesa dos direitos femininos e da infância. Durante duas horas, a especialista conduziu tanto apresentação expositiva quanto exercícios coletivos que buscavam problematizar como contextos históricos, religiosos, culturais, sociais e políticos moldaram a crença generalizada de que a maternidade é sinônimo de responsabilidade exclusiva pelo cuidado dos filhos.

“Meu trabalho visa libertar as mulheres do lugar da culpabilidade. Nomear esse desconforto é essencial—quando o encargo do cuidado recai apenas sobre as mães, perpetua-se uma dinâmica de sobrecarga que compromete múltiplas dimensões da vida feminina”, explica Monique.

Cuidado como ato coletivo

O workshop propôs um deslocamento paradigmático: enxergar o cuidado infantil não como atribuição biológica ou de gênero, mas como responsabilidade social compartilhada. A discussão buscou evidenciar como a distribuição equitativa do trabalho doméstico e parental contribui para sociedades mais equilibradas e para a redução da exaustão que caracteriza a vida de muitas mães.

Compromisso institucional com a mudança

José Luiz Furtado, diretor-geral do Semae, acompanhou a atividade e reafirmou o compromisso da instituição com a transformação de paradigmas. “O cuidado infantil transcende categorias de gênero. Precisamos desconstruir a noção de que essa é uma obrigação exclusivamente materna; homens igualmente compartilham dessa responsabilidade. Apenas assim construiremos uma sociedade verdadeiramente equitativa, onde as mulheres não estejam submetidas a cargas despropositais de trabalho”, declarou.


Crédito das fotos: Divulgação/Semae

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