Suzano debate o programa Bairros + Completos no Cineteatro Wilma Bentivegna. Especialistas da USP, Mackenzie e UEM discutem sustentabilidade e urbanismo para a infância.
O planejamento de cidades inteligentes e focadas no bem-estar humano ganhou um novo fórum de debate em Suzano nesta quinta-feira (14/05). A Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação reuniu pesquisadores, gestores públicos e urbanistas no Cineteatro Wilma Bentivegna para consolidar o conceito de “Cidade Saudável”, conectando preservação ambiental, equidade de gênero e o desenvolvimento na primeira infância.
O seminário expande as discussões iniciadas em abril sobre os planos de bairro da capital paulista, trazendo agora o foco técnico para a valorização de microáreas verdes e a aproximação comunitária como ferramentas de transformação social.
Programa ‘Bairros + Completos’ e a nova malha urbana
As propostas apresentadas dialogam diretamente com o programa Bairros + Completos, modelo de gestão que visa descentralizar os serviços públicos e qualificar a infraestrutura das 25 regiões delimitadas pela Lei de Abairramento, aprovada em setembro do ano passado. Atualmente, os perímetros do Boa Vista e da Casa Branca recebem as principais frentes de estudo, que serão estendidas a todo o município.
A abertura da mesa de debates foi conduzida pelo vice-prefeito Said Raful e pelo secretário da pasta, Elvis Vieira, contando com a participação da diretora Eliene Coelho e de uma comitiva acadêmica de ponta. Compartilharam seus diagnósticos a professora Beatriz Fleury e Silva (Universidade Estadual de Maringá) e os docentes da Universidade Presbiteriana Mackenzie: Ana Gabriela Godinho Lima, Rodrigo Mindlin Loeb e Fernando de Mello Franco (ex-secretário de Desenvolvimento Urbano de São Paulo). O setor privado contribuiu com as análises de Luis Fernando Milan (Estúdio +1) e Riciane Pombo (Guajava Arquitetura da Paisagem).
Justiça ambiental e o protagonismo infantil
Um dos eixos centrais do evento foi o conceito de justiça ambiental, princípio que defende o acesso igualitário e democrático a territórios limpos, seguros e com infraestrutura de saúde preservada, independentemente de fatores socioeconômicos.
Para alinhar a teoria à realidade local, Suzano aposta na escuta ativa da comunidade. O projeto “O que tem atrás desse muro?” exemplifica essa metodologia ao mapear as demandas de infraestrutura sob o olhar de:
- Crianças da rede municipal e do Programa de Formação Artística (Profart);
- Profissionais da saúde da família;
- Idosos inseridos nos programas de acolhimento social.
Todo esse banco de dados e percepções populares dará suporte técnico para as ações estruturadas em parceria com a empresa BR Casas, viabilizada por meio de um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).
Próximas etapas rumo ao Plano Diretor
Iniciado em janeiro deste ano, o cronograma técnico do programa está dividido em três fases e tem previsão de encerramento para agosto:
[Fase 1: Concluída] -> Pesquisa analítica e diagnóstico de campo
[Fase 2: Em andamento] -> Processo participativo e síntese de dados
[Fase 3: Próxima] -> Formulação de propostas e intervenções viárias
O secretário Elvis Vieira ressaltou que este mapeamento minucioso pavimenta o caminho para a revisão das diretrizes municipais. “Estamos construindo a base para o próximo Plano Diretor, que será debatido em 2027, quando a legislação atual completará dez anos. Nosso foco é promover um salto na engenharia urbana dos 25 bairros oficiais”, explicou.
O vice-prefeito Said Raful complementou pontuando a transversalidade das ações:
“Nosso compromisso é desenhar uma cidade integrada e humana. O desenvolvimento sustentável precisa garantir que o morador da periferia tenha o mesmo acesso rápido a equipamentos de lazer, saúde e mobilidade que o morador da área central”, concluiu.
O evento contou ainda com a presença de secretários e diretores de Suzano, Biritiba Mirim e coordenadores de frentes assistenciais da região do Alto Tietê.
Fotos: Divulgação/Secop Suzano


