Da produção ao atendimento, mulheres representam a força empreendedora que garante o alimento fresco na mesa de milhares de mogianos diariamente.
Conheça as histórias de superação das mulheres que lideram as feiras em Mogi das Cruzes. Trabalho, empreendedorismo e a força da agricultura familiar na região.
O despertador marca 2 horas da manhã. Enquanto a maior parte de Mogi das Cruzes ainda repousa, um exército silencioso de mulheres já está de pé. A rotina é intensa: logística, transporte e a montagem minuciosa das bancas que, horas mais tarde, serão o ponto de encontro de milhares de famílias em busca de qualidade e frescor.
Atualmente, o cenário das feiras livres e varejões da cidade é marcado por uma forte presença feminina. Segundo dados da Secretaria Municipal de Agricultura e Segurança Alimentar, as mulheres compõem quase um terço do corpo de feirantes cadastrados. Elas são peças fundamentais na engrenagem que abastece mais de 1,3 milhão de pessoas anualmente, distribuídas em 27 feiras espalhadas por 18 regiões do município.
Histórias de resiliência e tradição
Para muitas dessas profissionais, a feira é um prolongamento da vida no campo. Maria dos Aflitos Barbosa, de 40 anos, traz de Biritiba Ussu o vigor da agricultura familiar. Há 13 anos, ela equilibra a gestão da propriedade com as vendas diretas nos bairros. O desafio, segundo ela, é a jornada dupla que nunca termina: após o meio-dia, o foco muda para a gestão do lar e da família, sem perder o ritmo.
No distrito de Jundiapeba, o comércio de pescados ganha o rosto de Leticia Freitas. Com 17 anos de experiência no setor, ela destaca que o segredo da longevidade no negócio é a conexão com o público. “O atendimento de excelência é o que faz o cliente retornar”, pontua a feirante, que gerencia uma das barracas mais tradicionais da localidade.
Inovação e multitarefa no campo
A nova geração de feirantes também utiliza a tecnologia a seu favor. Daniela Aparecida dos Passos, de 32 anos, é o exemplo da “mulher múltipla”. Além de plantar e colher suas próprias verduras, ela atua como sua própria assessora de marketing, editando vídeos para redes sociais entre um atendimento e outro.
“Nós desempenhamos diversas funções simultâneas. Ver o reconhecimento do cliente pelo produto que eu mesma plantei é o que faz tudo valer a pena”, afirma Daniela.
A dinâmica das feiras noturnas
Se para algumas o trabalho começa na madrugada, para outras ele ganha força ao pôr do sol. As feiras noturnas de Braz Cubas e do Alto Ipiranga são palcos para empreendedoras como Kátia Sato e Solange Anastácio.
Kátia, veterana com 19 anos de atuação no ramo de pastéis, mantém a tradição artesanal herdada dos pais, inovando com iguarias como o “canolli de massa de pastel”. Ela ressalta que o desafio físico é real — manusear estruturas pesadas exige fôlego — mas a paixão pelo ofício supera as barreiras.
Já no Alto Ipiranga, na tradicional “Feira da Mesquita”, Solange Anastácio, aos 66 anos, é uma referência de afeto e sustento. Com 11 anos dedicados à venda de pães e bolos, ela resume o sentimento de pertencer a esse ecossistema: “Aqui não temos apenas clientes, construímos amizades para a vida toda. A feira foi a base para criar meus filhos e me deu tudo o que tenho”.
A atuação dessas mulheres reafirma Mogi das Cruzes como um polo de segurança alimentar, onde o desenvolvimento econômico caminha lado a lado com a força e a sensibilidade feminina.
Créditos: Conteúdo produzido por Fofoquei Mogi com informações da Secretaria de Agricultura e Segurança Alimentar de Mogi das Cruzes.


